Furacões e Tornados – As diferenças
Furacões e Tornados – As diferenças
Os furacões e tornados são fenómenos atmosféricos extremos que, frequentemente, causam estragos materiais e humanos. Com os recentes avanços científicos na área da meteorologia, tem sido possível compreender melhor este tipo de fenómenos. Apesar de serem ambos fenómenos extremos, os tornados e os furacões são fenómenos distintos, que vamos explicar ao longo deste artigo.
Tornados
Um tornado não é mais do que uma coluna de ar em rotação, que se estende desde a base de uma nuvem cumuliforme (com grande desenvolvimento vertical), e é frequentemente visível como um funil de condensação em contacto com o solo. Os tornados apresentam dimensões muito mais reduzidas que os ciclones tropicais, com um diâmetro geralmente inferior a 1 km.
Normalmente, os tornados formam-se ao longo de frentes, onde o ar quente e húmido encontra ar mais frio e seco. A massa de ar mais frio funciona como uma “tampa” sobre a massa de ar quente mais próxima do solo, o que impede a formação de nuvens. Quando existe penetração de uma frente fria, ou aquecimento excessivo da camada de ar junto ao solo, o ar quente ascende muito rapidamente, rasgando a “tampa” e invadindo a massa de ar frio. O ar quente sobe e expande-se, com uma velocidade que pode chegar a 250 km/h. Na figura abaixo, observa-se uma representação esquemática da circulação num tornado.

A categoria de um tornado era conhecida através da Escala de Fujita (F) que se baseava apenas na velocidade do vento. A partir de 2007, surgiu a Escala de Fujita Melhorada (EF), que mede a intensidade de um tornado com base nos danos causados.

Na categoria EF0, os estragos causados são “leves”, como telhas arrancadas ou algumas quedas de árvores mais frágeis. Na categorias EF1 e EF2 já podem ocorrer danos significativos em algumas casas e alguns carros podem ser lançados ao ar. Na categorias EF3 e EF4, casas bem construídas podem ser severamente afetadas ou destruídas e carros e outros objetos de dimensão semelhante podem ser lançados a distâncias significativas. Por fim, na categoria EF5, podem ocorrer danos massivos, como edifícios altos sofrerem danos estruturais severos ou postes de alta tensão serem arrancados do chão.

Ao longo dos últimos anos foram registados tornados de categoria máxima de EF2 ou EF3, como o da figura acima ou os tornados que ocorreram em novembro do ano passado, na região do Algarve.
Furacões
Os furacões são ciclones tropicais que ocorrem no oceano Atlântico e na parte oriental do oceano Pacífico. São tempestades violentas e poderosas com ventos rodopiantes que sopram a velocidades de 120 km/h ou superiores. O diâmetro típico de um furacão pode variar entre 300 e 800 quilómetros.
Os furacões são formados por duas regiões distintas: as paredes e o olho do furacão que é designada de “zona de calma”. Existem dois períodos, antes e depois da passagem do olho do furacão, onde se registam chuvas torrenciais e ventos destruidores. O olho é rodeado por paredes muito altas de cumulonimbus (nuvens de tempestade) que formam à sua volta a espiral de nuvens que aparecem nas imagens de satélite. Para além do vento e da chuva, a baixa pressão no centro do furacão causa uma oscilação significativa na superfície do mar, que quando se espalha em direção à costa provoca uma “maré de tempestade”, originando inundações. A figura seguinte mostra um corte transversal de um furacão.

Podem considerar-se quatro fatores principais para o surgimento de um furacão:
- A existência de uma onda tropical – região de baixas pressões;
- Água acima de 26,5 graus celsius, a uma profundidade de 50 metros, potencia a tempestade;
- Atividade elétrica – torna o aquecimento do oceano em combustível para o furacão;
- Baixo “wind shear” – wind shear é um fenómeno meteorológico caracterizado por uma mudança abrupta na velocidade e/ou direção do vento, numa distância curta – tanto na horizontal como na vertical.
A escala mais utilizada para medir a intensidade dos furacões, surgiu no início da década de 70, por Herbert Saffir e Robert Simpson, denominada de escala Saffir-Simpson, que permite determinar a intensidade de um furacão com valores entre 1 e 5. Neste artigo indicam-se, os valores da velocidade do vento máximo sustentado, adotadas pela OMM (Organização Meteorológica Mundial) para os ciclones tropicais do mar das Caraíbas, Golfo do México, oceano Atlântico Norte e oceano Pacífico Norte oriental e central.
- Categoria 1 – 119 a 153 km/h;
- Categoria 2 – 154 a 177 km/h;
- Categoria 3 – 178 a 209 km/h;
- Categoria 4 – 210 a 249 km/h;
- Categoria 5 – superior a 249 km/h

O furacão Wilma foi um dos maiores furacões registados até hoje.
Diferenças entre Tornados e Furacões
- Tornados formam-se sobre terra e furacões formam-se sobre o oceano;
- Tornados tem uma dimensão muito menor do que os furacões;
- Tornados duram desde alguns minutos a algumas horas, enquanto os furacões podem durar dias até 2 a 3 semanas;
- Velocidade do vento dos tornados pode ser superior a 400 km/h enquanto nos furacões, a velocidade do vento não chega aos 300 km/h;
- Ocorrem muito mais tornados do que furacões;
- Os danos causados pelos tornados são mais restritos a uma área específica, enquanto os danos dos furacões atingem uma área mais alargada;
- Nos tornados, os avisos são emitidos apenas até meia hora antes do tornado chegar, porque é um fenómeno muito imprevisível. Nos furacões, os avisos são feitos com vários dias de antecedência.
Os Estados Unidos da América são o país do mundo onde ocorrem mais tornados, sobretudo na famosa região denominada “Tornado Alley”. Já os furacões podem ocorrer em várias regiões, sendo mais frequentes e intensos nas bacias do Atlântico Norte e Pacífico Sul.
Artigo escrito por André Grades, no dia 16/09/2026.