A tendência para o verão – Previsão sazonal verão 2026
O verão de 2026 aproxima-se e, com ele, regressam as dúvidas habituais: será que vai ser mais quente do que o habitual? Vai ter precipitação e trovoadas? Será seco ou mais húmido? O vento vai-se fazer sentir?
O verão é uma das quatro estações do ano e, no hemisfério norte, começa com o solstício de verão, que geralmente ocorre entre os dias 20 e 21 de junho. Este momento marca o início oficial do verão astronómico e é o dia mais longo do ano, ou seja, aquele com mais horas de luz solar.
O termo “solstício” vem do latim solstitium, que significa “sol parado”. Isto porque, nesta altura, o Sol atinge o seu ponto mais alto no céu ao meio-dia, e durante alguns dias parece “parado” nesse ponto máximo antes de começar a descer novamente no horizonte.
O solstício de verão acontece porque o eixo da Terra está inclinado cerca de 23,5° em relação ao plano da sua órbita em torno do Sol. Durante o solstício de verão no hemisfério norte, este hemisfério está mais inclinado na direção do Sol, recebendo mais radiação solar, o que provoca o aumento das temperaturas e dias mais longos – características típicas do verão.
Após o solstício, os dias começam gradualmente a ficar mais curtos, embora o calor do verão persista devido à inércia térmica da atmosfera e dos oceanos. O verão termina com o equinócio de outono, por volta de 22 ou 23 de setembro, quando o dia e a noite voltam a ter a mesma duração.
O verão de 2026 iniciar-se-á, em Portugal, no dia 21 de junho e prolongar-se-á até ao dia 22 de setembro.

Fenómeno climático El Niño – Há outros a ter em consideração
El Niño é um fenómeno caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial central e oriental. Este aquecimento ocorre devido ao enfraquecimento dos ventos alísios (ventos predominantes na região), permitindo que as águas quentes do Pacífico ocidental se desloquem para leste, em direção à costa oeste da América do Sul. Este fenómeno provoca, muitas vezes, uma subida significativa das temperaturas ao nível global, e uma diminuição dos níveis de precipitação em muitos pontos do mundo.

Atualmente, o desenvolvimento de um episódio de El Niño constitui o principal sinal climático de grande escala observado no sistema oceano-atmosfera. Os modelos climáticos internacionais indicam uma elevada probabilidade de persistência deste fenómeno ao longo do verão e outono de 2026, podendo contribuir para uma atmosfera global mais quente e para alterações nos padrões meteorológicos em várias regiões do planeta.
Importante: Importa sublinhar que, no caso de Portugal, a influência direta do El Niño é geralmente mais limitada. O comportamento do tempo no território nacional depende sobretudo de outros fatores de larga escala, como a Oscilação do Atlântico Norte (NAO), a posição do anticiclone dos Açores e a configuração da circulação atmosférica no Atlântico Norte, que desempenham um papel mais determinante na definição das condições meteorológicas.
Tal como o El Niño, a Oscilação do Atlântico Norte (NAO) é também um fenómeno climático de grande escala, responsável por variações importantes na circulação atmosférica no Atlântico Norte.
No entanto, no contexto de Portugal, a NAO assume uma importância significativamente maior do que o El Niño. É este padrão que influencia de forma mais direta o comportamento do tempo no nosso território, condicionando a posição das depressões e dos anticiclones, e, consequentemente, a frequência de períodos mais húmidos ou mais secos, bem como a intensidade e duração das ondas de calor durante o verão.
Atualmente, a NAO indica que os sinais de larga escala continuam a favorecer a persistência de um regime de bloqueio em latitudes elevadas, incluindo o Bloqueio Escandinavo. Este padrão tende a perturbar a circulação habitual no Atlântico Norte, podendo desviar as depressões para sul ou bloquear a sua progressão para leste. Para Portugal, isto pode traduzir-se em maior variabilidade do estado do tempo, com períodos de instabilidade alternados com fases mais secas e quentes. Em alguns casos, também pode favorecer a subida de massas de ar mais quente vindas do norte de África, dependendo da configuração da circulação.

A tendência para o verão – Análise sazonal (Temperatura)
De acordo com a análise mais recente dos modelos meteorológicos compilados pelo André do Tempo, as projeções para o verão de 2026 apontam para uma estação globalmente dentro da média em termos de temperatura, com tendência para ligeiro aquecimento em determinados períodos, especialmente em agosto.
Ao contrário de cenários mais extremos, não se prevê uma anomalia térmica persistentemente acima da média ao longo de toda a estação. Em vez disso, o padrão mais provável será marcado por uma alternância entre fases próximas do normal climatológico e episódios de calor mais intenso, sobretudo associados a advecções de ar quente provenientes de sul, vindas de África.
No litoral, é possível que em agosto o vento seja mais fraco do que o habitual, o que poderá favorecer um aquecimento mais significativo nas áreas costeiras.
Com a redução da intensidade dos ventos costeiros a partir de meados de julho, especialmente os de norte e noroeste que normalmente sopram com força durante o verão, prevê-se também uma diminuição do fenómeno de upwelling. O upwelling consiste na subida de águas profundas e mais frias à superfície do oceano, provocada precisamente pelo vento. Quando este fenómeno é menos ativo, o aquecimento das águas superficiais do mar torna-se mais pronunciado. Assim, é provável que se registe uma subida generalizada da temperatura da água do mar ao longo da costa portuguesa, especialmente nas regiões habitualmente mais afetadas pelo arrefecimento marítimo, como o litoral oeste e o Algarve ocidental.

A tendência para o verão – Análise sazonal (Precipitação)
O padrão de precipitação previsto para o verão de 2026 em Portugal aponta, de forma geral, para um comportamento dentro da média climática, mantendo-se a típica estação seca, com predomínio de tempo estável e ausência de precipitação significativa na maior parte do território.
Ainda assim, os modelos sugerem a possibilidade de um verão com maior frequência de episódios de instabilidade atmosférica entre julho e agosto do que o habitual, especialmente associados a depressões isoladas em altitude e a intrusões de ar mais instável em altitude. Estas situações poderão favorecer o desenvolvimento de aguaceiros e trovoadas, sobretudo nas regiões do interior Norte, Centro e Sul.
Mesmo num cenário em que agosto tende a ser o mês mais quente do verão, essa anomalia térmica não impede a ocorrência de instabilidade. Pelo contrário, o contraste entre o forte aquecimento à superfície e a presença de ar mais frio em altitude poderá, em alguns dias, potenciar a formação de trovoadas de verão.
Assim, apesar da tendência geral para tempo seco e estável, espera-se que julho e agosto possam registar mais episódios de trovoada do que o habitual.

Nota: A presente previsão sazonal foi elaborada com base na análise de padrões meteorológicos observados em anos anteriores, no período entre 1940 e 2025, bem como na tendência atual dos principais modelos meteorológicos globais de previsão sazonal. Para além disso, foram também considerados diversos indicadores atmosféricos e a informação meteorológica analisada pela equipa do André do Tempo, resultando numa síntese de diferentes fontes e métodos de análise climática.
Esta análise, por se tratar de uma previsão sazonal, é sujeita a alterações significativas ao longo do tempo. Sugerimos o acompanhamento diário nas nossas plataformas.