Inundações e cheias – Risco elevado
A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) emitiu, este domingo, 16 de março, um novo alerta à população devido à continuidade das cheias na Bacia do Tejo. Embora os caudais debitados tenham diminuído, os rios Tejo e Sorraia mantêm níveis elevados, o que continua a representar um risco de inundações e cortes de estradas.
Nos últimos dias, a chuva intensa saturou os solos e fez subir os níveis da água no Tejo e nos seus afluentes. A ANEPC avisa que os caudais poderão oscilar nos próximos dias, prolongando o risco de cheias e aumentando a instabilidade em várias zonas ribeirinhas.
As cheias e as inundações são fenómenos naturais frequentemente associados, mas que possuem características distintas. Enquanto as cheias representam um aumento do nível da água em rios, lagos ou outros cursos de água, podendo ocorrer sem causar danos significativos, as inundações ocorrem quando essa água transborda para áreas habitadas ou zonas que normalmente não ficam submersas, resultando em prejuízos para comunidades e infraestruturas.

Inundações no distrito de Beja em junho de 2024 – Mário Franco
Um dos aspetos mais importantes da prevenção de inundações é a limpeza e manutenção de sarjetas e sistemas de escoamento de águas pluviais. Muitas vezes, se os sistemas de drenagem não estiverem devidamente limpos, as ruas podem rapidamente transformar-se em rios, colocando em risco as propriedades e, em casos mais graves, a vida das pessoas.
A rede de escoamento de águas pluviais nas cidades é essencial para canalizar a água da chuva para fora das zonas urbanas de forma rápida e eficaz. Contudo, ao longo do verão e do outono, as sarjetas podem acumular uma grande quantidade de detritos, como folhas, lixo e outros resíduos. Com a chegada de chuvas fortes, estas infraestruturas podem facilmente ficar obstruídas, impedindo o escoamento adequado da água. Esta situação pode resultar em inundações localizadas, que, além de causar incómodos e danos materiais, podem comprometer a segurança das estradas e calçadas.
É crucial que as autoridades municipais e os serviços responsáveis pela limpeza urbana realizem uma manutenção preventiva regular. A limpeza das sarjetas deve ser feita antes do início das chuvas e deve ser mantida ao longo de todo o outono e inverno. Um sistema de drenagem bem cuidado pode evitar que as águas pluviais se acumulem em locais indesejados, minimizando os impactos negativos.
Além da limpeza das sarjetas, é importante também verificar a integridade das infraestruturas. Por vezes, as tubagens que compõem o sistema de escoamento estão danificadas ou apresentam fissuras, o que pode reduzir a sua eficácia. Realizar inspeções periódicas e proceder a reparações ou substituições quando necessário é uma medida de prevenção importante.

Inundações nas Caldas da Rainha em março de 2024 – João Costa
Embora as autoridades tenham a responsabilidade principal de manter os sistemas de drenagem em bom estado, os cidadãos também desempenham um papel importante na prevenção de inundações. Muitas das obstruções nos sistemas de escoamento são causadas pelo lixo acumulado nas ruas e calçadas, que acaba por ser arrastado pela água da chuva e fica preso nas sarjetas. Este problema pode ser minimizado com a colaboração da população no sentido de manter o espaço público limpo.
Depois de um longo período seco ou de chuvas abundantes, o contacto da água da chuva com o asfalto tende a tornar as estradas ainda mais escorregadias, aumentando o risco de acidentes. O pó, a sujidade e o óleo acumulados nas estradas ao longo da época de verão misturam-se com a água da chuva, formando uma camada escorregadia que pode surpreender condutores desatentos. Por isso, é essencial que os condutores adotem uma condução mais cautelosa durante os dias de chuva, reduzindo a velocidade e aumentando a distância de segurança entre veículos.
Além dos riscos rodoviários, as inundações causadas por chuvas intensas podem comprometer a segurança de pedestres e ciclistas, sobretudo em áreas onde o sistema de drenagem é inadequado. O risco de quedas deve ser considerado, especialmente em zonas com declives acentuados.
Outro perigo menos evidente, mas igualmente importante, é a possibilidade de contaminação das águas. Durante os dias de chuva, os resíduos acumulados em ruas, calçadas e terrenos são arrastados para os sistemas de escoamento, podendo acabar por poluir rios, ribeiras e outros corpos de água. A qualidade da água pode ser comprometida, o que afeta não só o ambiente, mas também a saúde pública.

Inundações na cidade de Lisboa em março de 2024 – Alessandro Nascimento
Além da manutenção das infraestruturas tradicionais, muitas cidades estão a apostar em soluções baseadas na natureza para melhorar o escoamento de águas pluviais. Estas soluções incluem a criação de jardins pluviais e bacias de retenção, que ajudam a absorver parte da água da chuva diretamente no solo, reduzindo a pressão sobre os sistemas de drenagem artificiais.
Os jardins pluviais são áreas verdes que, através de uma seleção cuidadosa de plantas e da preparação do solo, são projetadas para captar e absorver as águas da chuva. Esta solução não só contribui para a prevenção de inundações, como também melhora a qualidade da água ao filtrar os poluentes. Já as bacias de retenção são zonas especialmente criadas para acumular água em momentos de chuvas intensas, libertando-a gradualmente, de forma controlada, para os sistemas de drenagem ou diretamente para o solo.
Estas soluções são complementares aos sistemas de drenagem convencionais e oferecem uma forma sustentável e ecológica de lidar com o aumento da quantidade de água da chuva, particularmente em áreas urbanas densamente povoadas.
Artigo escrito por André Frade, no dia 05/03/2025.
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