Depressão “Claudia” despede-se mas traz ar frio de Norte – Vai arrefecer esta semana
A depressão “Claudia”, que condicionou o estado do tempo em Portugal continental nos últimos dias, despede-se esta segunda-feira – mas traz consigo ar frio vindo de Norte.

Esta segunda-feira será marcada pela possibilidade de aguaceiros dispersos, mais prováveis no litoral Oeste, Alto Alentejo e Área Metropolitana de Lisboa. Ainda assim, esperam-se longos períodos de sol e pouca nebulosidade. Os aguaceiros que ocorrerem de forma dispersa poderão ser de granizo. 🌤️💦☀️

A partir de terça-feira, espera-se tempo seco, muito sol e noites progressivamente mais frias. Já na quarta-feira, dia 19, a atmosfera voltará a ganhar dinamismo: um extenso sistema de baixas pressões, originado nas latitudes altas e carregado de ar polar marítimo, irá descer em latitude, impulsionado por ventos de Norte, atingindo Portugal continental – vai ficar mais frio.

Que massa de ar frio vai ser esta? ❄️
Um extenso sistema de baixas pressões, originado nas latitudes altas do Atlântico Norte, é um dos mecanismos atmosféricos mais relevantes para a transferência de massa de ar frio para latitudes mais baixas, como a Península Ibérica. Este tipo de depressão forma-se geralmente junto à região subpolar, onde o contraste térmico entre o ar muito frio do Ártico e o ar relativamente mais quente das zonas temperadas favorece o desenvolvimento de ciclones extratropicais. À medida que estas depressões amadurecem, tornam-se mais profundas e passam a incorporar no seu seio ar polar marítimo, um tipo de massa de ar caracterizada por temperaturas reduzidas, elevada instabilidade e humidade significativa.
O movimento deste sistema em direção ao sul resulta da interação com a circulação atmosférica de grande escala. Nesta situação, uma crista anticiclónica posicionada a oeste ou centro do Atlântico atua como uma barreira, forçando a depressão a deslizar pelo seu flanco oriental. Este desvio canaliza a depressão para latitudes mais baixas. Simultaneamente, a circulação de ventos em altitude — nomeadamente o jet stream polar — tende a intensificar-se e a inclinar o seu eixo para sul. Esse posicionamento favorece o transporte rápido de sistemas frontais e massas de ar polares em direção ao sudoeste da Europa.
Os ventos de Norte, que sopram na retaguarda desta depressão, aceleram o deslocamento do ar frio, criando uma corrente de ar polar marítimo que acompanha o sistema na sua descida em latitude. Este processo é responsável por trazer consigo uma massa de ar muito mais fria do que a que normalmente se observa em Portugal continental nesta época do ano.

Prevêm-se as primeiras geadas da temporada, sobretudo nas regiões do interior do país, onde o ar frio será mais intenso durante as noites. A combinação de céu limpo, vento fraco e a entrada de ar polar marítimo favorecerá uma forte perda de calor à superfície.
Assim, a partir de quarta-feira, várias localidades do interior Norte e Centro poderão registar temperaturas negativas durante as madrugadas.
Importa ainda reforçar que esta mudança para um padrão mais frio já estava alinhada com a tendência da previsão sazonal lançada pelo André do Tempo em setembro, que apontava para um final de outono mais fresco e com maior influência de massas de ar polar.
Resumo
Nesta segunda-feira ainda sentiremos alguma influência remanescente da depressão “Claudia”, com possibilidade de aguaceiros dispersos, embora predominem longos períodos de sol. A partir de terça-feira, e de forma mais marcada na quarta, o tempo tornar-se-á seco e muito soalheiro de Norte a Sul, com o céu geralmente limpo. Com a chegada de ar mais frio, as temperaturas vão descer progressivamente ao longo da semana, sobretudo durante a noite. Este padrão mais frio deverá trazer as primeiras geadas mais sérias da temporada, especialmente no interior do país.
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