A tendência para a primavera – Previsão sazonal
A primavera 2026 está mesmo aí à porta! A primavera meteorológica iniciou-se a 01 de março e baseia-se em critérios climatológicos e estatísticos, definidos para facilitar o estudo e a comparação de padrões climáticos. Para os meteorologistas e profissionais desta área, a primavera começa sempre no dia 1 de março e termina a 31 de maio. Esta divisão fixa em meses completos permite uma melhor análise dos dados climáticos e previsões sazonais.
Já a primavera dita habitual, a primavera astronómica, inicia-se, este ano, no dia 20 de março. A primavera astronómica tem como referência a posição da Terra em relação ao Sol e começa no equinócio da primavera, que ocorre normalmente entre os dias 19 e 21 de março no hemisfério norte. Este momento marca o instante em que o Sol cruza o equador celeste, resultando em dias e noites de duração aproximadamente igual. A primavera astronómica termina no solstício de verão, por volta de 21 de junho.

A tendência para a primavera – Previsão sazonal
El Niño é um fenómeno caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial central e oriental. Este aquecimento ocorre devido ao enfraquecimento dos ventos alísios (ventos predominantes na região), permitindo que as águas quentes do Pacífico ocidental se desloquem para leste, em direção à costa oeste da América do Sul. Este fenómeno provoca, muitas vezes, uma subida significativa das temperaturas ao nível global, e uma diminuição dos níveis de precipitação em muitos pontos do mundo.
Por outro lado, La Niña é o fenómeno oposto ao El Niño. É caracterizado pelo arrefecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial central e oriental. Durante a La Niña, os ventos alísios tornam-se mais fortes, empurrando as águas quentes ainda mais para oeste e trazendo águas mais frias à superfície no leste do Pacífico. Isso reflete, muitas vezes, numa redução ligeira das temperaturas médias e um aumento dos níveis de precipitação em muitas partes do planeta.

Atualmente, o padrão ainda dominante é o La Niña, embora já se encontre em fase de enfraquecimento. A tendência dos modelos climáticos indica que, ao longo da primavera, o sistema deverá evoluir gradualmente para uma fase neutra, ou seja, sem a presença marcada de El Niño ou La Niña.
Numa fase neutra, a influência direta do Pacífico na circulação atmosférica global tende a ser menor. Sem um forçamento forte associado ao ENSO (El Niño-Oscilação do Sul), o estado do tempo na Europa e em Portugal passa a depender sobretudo de padrões regionais do Atlântico. Neste contexto, a primavera poderá caracterizar-se por maior variabilidade atmosférica, com alternância entre períodos mais secos e estáveis e fases mais instáveis, traduzindo-se numa distribuição irregular da precipitação e em semanas meteorologicamente muito distintas entre si.
Por outro lado, padrões atmosféricos do Atlântico Norte, como a North Atlantic Oscillation, tendem a assumir maior relevância. Em fases positivas da NAO é mais provável a presença de condições anticiclónicas, favorecendo tempo mais seco e estável. Já numa fase negativa, aumenta a probabilidade de maior influência de depressões atlânticas, com períodos mais chuvosos e instáveis.
Além disso, em primaveras com ENSO (El Niño-Oscilação do Sul) neutro é relativamente frequente a ocorrência de episódios convectivos típicos da estação, como aguaceiros e trovoadas, sobretudo nas regiões do interior. Também poderão ocorrer situações de instabilidade associadas a depressões isoladas em altitude, bem como entradas ocasionais de ar frio tardio, que podem provocar descidas temporárias da temperatura.
No que diz respeito às temperaturas, a fase neutra do ENSO não favorece uma tendência clara para valores acima ou abaixo da média climatológica, sendo expectável uma evolução térmica mais dependente da variabilidade sinóptica ao longo da estação. 🌦️
A tendência para a primavera – Previsão sazonal
Precipitação: Os modelos meteorológicos analisados pelo André do Tempo sugerem que a primavera em Portugal Continental deverá apresentar valores de precipitação globalmente próximos da média climatológica, embora com alguma variabilidade ao longo da estação e períodos pontuais mais secos.
Durante março, é expectável um regime de precipitação dentro da média, com a passagem de frentes atlânticas e depressões provenientes do oceano, capazes de provocar períodos de chuva intercalados com fases de tempo mais estável.
Já em abril, os cenários atuais apontam para um mês ligeiramente mais seco, ainda que não se exclua a ocorrência de alguns episódios de precipitação associados à aproximação de depressões atlânticas. Assim, apesar de uma tendência para menor quantidade de chuva, poderão ocorrer períodos de instabilidade.
Em maio, a precipitação deverá regressar a valores próximos da média, com a possibilidade de depressões isoladas em altitude e episódios de instabilidade convectiva, típicos desta fase da primavera. Estes poderão originar aguaceiros intensos e trovoadas, sobretudo nas regiões do interior.
Por fim, junho poderá apresentar uma tendência mais seca, com maior influência de condições anticiclónicas e períodos mais prolongados de estabilidade atmosférica, embora sem excluir episódios pontuais de instabilidade convectiva.
No conjunto da estação, a primavera deverá caracterizar-se por uma alternância entre períodos de instabilidade associados a depressões atlânticas ou isoladas em altitude e fases mais estáveis, resultando numa precipitação global próxima da média, mas com tendência para maior irregularidade na sua distribuição ao longo dos meses. 🌦️

Temperatura: De acordo com os modelos meteorológicos analisados pelo André do Tempo, a primavera deverá apresentar temperaturas globalmente próximas da média climatológica em Portugal Continental, não se prevendo, para já, uma estação marcada por anomalias muito elevadas de temperatura.
Durante março, os valores térmicos deverão situar-se dentro da média, embora com a possibilidade de ocorrência de bolsas de ar frio temporárias que poderão provocar descidas da temperatura, sobretudo após a passagem de sistemas frontais ou durante entradas de ar mais frio de origem polar marítima.
Em abril, o cenário deverá manter-se semelhante, com temperaturas próximas da média e a possibilidade de episódios ocasionais de ar mais frio, que poderão trazer períodos temporários com valores ligeiramente abaixo do normal para a época.
Já em maio, os modelos sugerem também temperaturas dentro da média, embora exista uma ligeira tendência para valores algo mais frescos do que o habitual em alguns períodos, sobretudo se ocorrerem episódios de instabilidade associados a depressões isoladas em altitude ou entradas de ar mais fresco no noroeste da Península Ibérica.
Por fim, junho deverá igualmente apresentar temperaturas próximas da média, com a possibilidade de maior frequência de ventos de norte (nortada), sobretudo nas regiões do litoral oeste. Este padrão tende a limitar subidas acentuadas da temperatura e a manter um ambiente relativamente mais fresco, em particular nas áreas costeiras.
No conjunto da estação, os cenários atuais não indicam uma primavera excecionalmente quente, sendo mais provável uma estação com temperaturas próximas da normal climatológica e com alguns períodos mais frescos.🌤️🌬️

Nota: A presente previsão sazonal foi elaborada com base na análise de padrões meteorológicos observados em anos anteriores, no período entre 1940 e 2025, bem como na tendência atual dos principais modelos meteorológicos globais de previsão sazonal. Para além disso, foram também considerados diversos indicadores atmosféricos e a informação meteorológica analisada pela equipa do André do Tempo, resultando numa síntese de diferentes fontes e métodos de análise climática.
Esta análise, por se tratar de uma previsão sazonal, é sujeita a alterações significativas ao longo do tempo. Sugerimos o acompanhamento diário nas nossas plataformas.