Previsão sazonal Inverno 2025/2026
O inverno está quase a chegar! O inverno meteorológico iniciou-se a 01 de dezembro e termina a 28 de fevereiro de 2026, sendo baseado em médias climáticas e incluindo os meses mais frios do ano. Já o inverno astronómico começa com o solstício de inverno, que geralmente ocorre a 21 ou 22 de dezembro, (este ano a 21 de dezembro) e estende-se até ao equinócio da primavera, por volta de 20 ou 21 de março (em 2026 a 20 de março).
Ao contrário das previsões de curto prazo, que se baseiam em medições imediatas e modelos de alta resolução, as previsões sazonais analisam padrões climáticos de longo prazo e factores globais que influenciam o clima. Dados meteorológicos históricos são fundamentais, pois informações acumuladas ao longo de décadas ajudam a identificar padrões e variações sazonais típicas, sendo utilizadas em análises estatísticas para comparar as condições presentes com anos anteriores, identificando possíveis tendências. Fenómenos climáticos globais, como El Niño e La Niña, que afectam os padrões atmosféricos a nível mundial, ou a Oscilação do Atlântico Norte (NAO), que impacta diretamente o clima na Europa, também são considerados.
Do que se tratam os fenómenos El Niño e La Niña? ☁️
El Niño é um fenómeno caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial central e oriental. Este aquecimento ocorre devido ao enfraquecimento dos ventos alísios (ventos predominantes na região), permitindo que as águas quentes do Pacífico ocidental se desloquem para leste, em direção à costa oeste da América do Sul. Este fenómeno provoca, muitas vezes, uma subida significativa das temperaturas ao nível global, e uma diminuição dos níveis de precipitação em muitos pontos do mundo.
Por outro lado, La Niña é o fenómeno oposto ao El Niño. É caracterizado pelo arrefecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial central e oriental. Durante a La Niña, os ventos alísios tornam-se mais fortes, empurrando as águas quentes ainda mais para oeste e trazendo águas mais frias à superfície no leste do Pacífico. Isso reflete, muitas vezes, numa redução ligeira das temperaturas médias e um aumento dos níveis de precipitação em muitas partes do planeta.

Atualmente, o fenómeno El Niña é predominante, com uma anomalia negativa na temperatura das águas do Pacífico Equatorial central e oriental. Durante um evento de La Niña, Portugal tende a experimentar (de acordo com eventos anteriores) invernos mais frios do que o normal, devido à presença de massas de ar mais frias provenientes de norte, o que pode resultar em temperaturas mais reduzidas. Em termos de precipitação, os invernos de La Niña tendem a ser mais secos, com a precipitação abaixo da média, especialmente no sul do país.
Mas qual é a verdadeira tendência? ⏬️
Precipitação: Os modelos meteorológicos analisados pelo André do Tempo apontam para um início de inverno bastante ativo em Portugal Continental, especialmente entre dezembro e janeiro. Durante este período, é expectável a passagem frequente de depressões atlânticas, responsáveis por sucessivas fases de tempo instável.
Estas depressões deverão arrastar massas de ar frio potentes, originando entradas frias e chuvosas de noroeste e norte, capazes de provocar episódios de precipitação mais intensa. Este padrão atmosférico favorece também a ocorrência de neve abundante nas montanhas do Norte e Centro, onde os acumulados poderão ser significativos ao longo destas incursões frias.
Para além disso, existe a possibilidade de surgirem surpresas de neve a cotas mais baixas, sobretudo durante as fases de maior interação entre as depressões atlânticas e o ar frio que acompanha estas entradas. Embora estas situações sejam mais pontuais e dependentes da evolução dos sistemas, o cenário atual sugere um inverno com maior probabilidade de episódios de neve fora das altitudes habituais.
À medida que avançamos para fevereiro e março, o padrão atmosférico tende a mudar. O anticiclone deverá ganhar força, estabelecendo-se com maior persistência sobre a Península Ibérica ou regiões próximas. Este posicionamento favorece um cenário mais estável e seco, limitando significativamente a ocorrência de precipitação.
Paralelamente, poderão ocorrer entradas de massas de ar frio vindas de leste, norte ou nordeste, que, embora tragam uma descida acentuada das temperaturas, serão massas de ar seco, com reduzidos níveis de humidade. Assim, esta fase final do inverno poderá ser marcada por tempo mais frio, mas seco, com noites geladas, geadas, nevoeiros e inversões térmicas.


Temperatura: O inverno 2025/2026 em Portugal Continental deverá apresentar temperaturas geralmente dentro ou acima* da média, com episódios pontuais de ar mais frio, típicos desta altura do ano, que poderão fazer descer os termómetros de forma mais marcada.
Entre dezembro e janeiro, com a sucessão de depressões atlânticas que se prevê atravessarem o país, serão normais variações rápidas das temperaturas. As entradas de Noroeste e Norte poderão trazer ar mais frio, mas também momentos de recuperação térmica entre sistemas (períodos com temperaturas mais amenas).
Tudo indica que o anticiclone ganhará força entre fevereiro e março, instalando-se com maior persistência e abrindo caminho para entradas de ar frio vindas de norte, nordeste ou leste. Estas massas de ar são frias e secas, pelo que não costumam trazer muita precipitação, mas têm capacidade para provocar um arrefecimento acentuado.
Durante esta fase, poderemos ter noites frias, geadas, nevoeiros e maiores amplitudes térmicas.
*Os meses de dezembro e janeiro tendem a manter-se próximos ou acima das médias climatológicas. Esta análise está alinhada com a tendência global de subida gradual das temperaturas médias. Importa destacar que este aumento das médias, embora significativo a longo prazo, não significa necessariamente calor em cada estação. Mesmo um aumento de 0,1°C nas médias anuais reflete mudanças climáticas consistentes, mas isso não exclui períodos de frio intenso, como é típico do inverno.


Esta análise, por se tratar de uma previsão sazonal, é sujeita a alterações significativas ao longo do tempo. Sugerimos o acompanhamento diário nas nossas plataformas.