Previsão sazonal outono 2025
O outono aproxima-se oficialmente, marcando uma fase de transição com mudanças visíveis tanto no clima como na paisagem. Esta estação inicia-se após o equinócio de outono, que em 2025 ocorrerá a 22 de setembro. Contudo, existem duas formas de definir o início da estação: o outono meteorológico, que decorre de 1 de setembro a 30 de novembro, e o outono astronómico, que começa no dia 22 de setembro e prolonga-se até dia 21 de dezembro, altura em que se inicia o inverno.
Antes de olharmos para a previsão sazonal, é importante compreender um fenómeno que tem grande impacto no clima mundial: a ocorrência de El Niño ou La Niña.
Estes dois fenómenos fazem parte de um ciclo climático designado por Oscilação Sul-El Niño (ENSO – El Niño-Southern Oscillation). Ambos têm forte influência no clima global, sobretudo em regiões tropicais e subtropicais, embora com efeitos distintos.
O El Niño corresponde a um aquecimento anormal das águas superficiais no Pacífico Equatorial central e oriental. Tal acontece devido ao enfraquecimento dos ventos alísios – correntes de ar predominantes nessa região –, o que permite que as águas quentes normalmente concentradas no Pacífico ocidental se desloquem para leste, em direção à costa oeste da América do Sul. Como consequência, este fenómeno tende a elevar a temperatura média global e a reduzir a precipitação em diversas áreas do planeta.
Já a La Niña representa a fase contrária. Caracteriza-se pelo arrefecimento anómalo das águas superficiais na mesma região do Pacífico. Neste caso, os ventos alísios sopram com maior intensidade, empurrando as águas quentes ainda mais para oeste e favorecendo a subida de águas frias à superfície no lado oriental do oceano. Em termos globais, este fenómeno costuma provocar uma ligeira descida da temperatura média e aumentar os totais de precipitação em muitas regiões.

Neste momento, a anomalia da temperatura da superfície do mar no Pacífico apresenta valores abaixo do normal, o que indica a persistência de condições associadas ao fenómeno La Niña, favorecendo assim a sua influência no outono de 2025.
Tendência das temperaturas

Relativamente à tendência para este outono, prevê-se uma estação marcada por contrastes bem definidos. Setembro e outubro deverão apresentar condições mais quentes do que o habitual, prolongando o cenário de temperaturas elevadas e uma sensação de verão tardio em várias regiões do país. Durante este período, a influência de massas de ar mais estáveis poderá favorecer uma atmosfera relativamente calma, com predomínio de calor e menos episódios de instabilidade.
Contudo, a partir de novembro, o padrão atmosférico poderá sofrer uma mudança significativa. A entrada de massas de ar frias provenientes de norte e noroeste, em combinação com a possível formação de depressões mais ativas, poderá dar origem a episódios de frio acentuado e a temporais. Esta alteração traduz-se num forte sinal estatístico para uma transição precoce para condições típicas de inverno, ainda dentro do mês de novembro.
Assim, o outono de 2025 poderá ser caracterizado por um início dominado por temperaturas elevadas, seguido por uma fase final mais instável e fria, marcada pela passagem de depressões, episódios de vento forte e períodos de precipitação intensa. Esta alternância reforça a ideia de um outono dinâmico, em que a transição para o inverno poderá ocorrer de forma antecipada.

E em relação à chuva?

O outono de 2025 em Portugal Continental deverá ser marcado por contrastes claros no que toca à precipitação, com uma primeira metade da estação mais seca e uma segunda metade significativamente mais instável e chuvosa.
Durante setembro e outubro, ainda se fará sentir alguma influência de massas de ar vindas do Norte de África. Estas favorecem um tempo geralmente mais seco, com ocorrência de poeiras em suspensão, mas não contribuem de forma relevante para a precipitação. Nestes meses, a chuva deverá ocorrer de forma irregular, concentrada sobretudo em episódios associados à passagem de frentes pouco ativas, ou instabilidade atmosférica mais tropical, não sendo suficiente para repor de forma significativa os níveis de água no solo e nas barragens.
A mudança mais expressiva acontece a partir do final de outubro. Os modelos e a análise estatística apontam para uma alteração do padrão atmosférico, com maior frequência na passagem de sistemas frontais organizados e mais vigorosos. Essa transição trará consigo uma fase de chuva persistente e, por vezes, intensa, que deverá marcar o mês de novembro como anormalmente chuvoso.
Novembro apresenta um forte sinal estatístico de precipitação acima da média, com ocorrência de temporais, períodos prolongados de instabilidade e episódios de chuva forte que poderão causar constrangimentos, como inundações rápidas em meio urbano ou cheias em bacias hidrográficas mais sensíveis. Além da frequência acrescida de frentes, não se exclui a possibilidade de sistemas depressivos mais profundos atravessarem a Península Ibérica ou se formarem nas proximidades, aumentando a intensidade dos episódios de precipitação.
Esta tendência de elevada instabilidade deverá prolongar-se até dezembro, mantendo a chuva como protagonista na reta final do outono. A sucessão de frentes atlânticas ativas, aliada à circulação atmosférica típica da estação, poderá resultar em períodos de pluviosidade persistente e acumulados significativos.
Em síntese, o outono de 2025 em Portugal Continental será caracterizado por uma primeira metade mais seca e marcada pela influência africana e do anticiclone, seguida de uma viragem acentuada no final de outubro, dando lugar a uma fase prolongada de chuvas abundantes e temporais durante novembro e dezembro, meses que deverão ficar acima da média em termos de precipitação.
